Termino o meu trabalho. pontualmente às 18:26.
Lembro que marquei aula de yoga às 20h e por isso vou precisar esperar no escritório até dar o horário de encontrar a Juliana.
As meninas já foram embora.
E ainda que eu adore o trabalho em equipe, eu acho que existe um toque especial em terminar a segunda feira, olhando pra janela, ao som de prudência do Tim Bernardes.
Em julho eu sempre me sinto um pouco mais melancólica. Sinto os dias mais frios e a rotina um pouco menos caótica.
Decido ir andando pra aula de Yoga. Da Savassi ao Santa Tereza.
Gosto muito de andar. Sinto que poderia andar incansavelmente por horas. Principalmente no finalzinho do dia.
Gosto de ver as pessoas saindo do trabalho, as crianças voltando da escola e todo esse movimento da vida acontecendo. Esses rituais de encerramento de um dia.
Hoje não consegui horário para fazer a prática que geralmente faço (Ashtanga). Mas decidi testar uma nova.
Hatha yoga.
A professora explica que é uma prática que busca equilibrar energias opostas.
Sol e lua.
No geral, achei uma prática calma. Repetidas vezes a postura da criança.
(Sempre achei lindo que no yoga a postura da criança significa descanso, mas também rendição e humildade)
O mantra da aula foi:
“Prestem atenção no vazio entre uma respiração e outra. Prestem atenção no vazio entre um pensamento e outro”
Saio da aula, entro no carro e coloco pra ouvir O Velho e o mar do Rubel.
“Lança o barco contra o mar
Venha o vento que houver”
Lembrei do meu irmão. Lembrei que há dois anos atrás dei de presente para ele O Velho e o mar do Hemingway. Não sei se ele leu. Na verdade, percebo que já não sei mais um tanto de coisa sobre ele.
Depois de O Velho e o mar, começa a tocar Ben, também do Rubel.
“Que os dentes caem e as pernas crescem demais”.
Sinto que é uma boa frase para terminar um texto que nasceu sem pretensão alguma. Entre a espera da aula de yoga e a volta pra casa de uma segunda qualquer.
